Loco Abreu fala sobre o futebol capixaba e a dura realidade do Campeonato Estadual

Em entrevista coletiva realizada ontem, segunda feira (15), Loco falou sobre sua chegada ao futebol capixaba e as condições do futebol do estado, bem como às polêmicas que envolveram a partida de volta das semifinais do Capixabão, contra o Real Noroeste. Confira abaixo o relato do camisa 13.

“A CBF precisa abrir o olho, pois aqui no Espírito Santo a lei não está sendo cumprida. O que aconteceu no jogo do último sábado (entre Real Noroeste e Rio Branco, em Águia Branca, pelas semifinais do Capixabão) foi uma demonstração clara de que tem muita gente que não quer que o futebol capixaba evolua. Quando vi o veículo que o clube (Real Noroeste) diz ser ambulância, lembrei dos carros da minha terra que fazem entrega de presunto, queijo e linguiça. É o mesmo veículo. Se for colocar tudo que uma UTI Móvel de um futebol profissional requer lá dentro, ou entram os aparelhos ou entram os pacientes. Quando abriram a porta e eu olhei para dentro, não tinha nada, só um espaço vazio, sem luz e uma maca. A enfermeira que atendeu um atleta nosso assumiu: ‘tem que levar o jogador para o hospital, porque aqui não tem condições para atender’

Nas quartas de final, contra o Serra (mando do Rio Branco), o jogo ficou paralisado e o árbitro veio conversar comigo dizendo que uma das enfermeiras estava sem o documento. Mesmo a gente tendo três ambulâncias, eu achei certa aquela paralisação, pois a regra precisa ser cumprida. Mas ela precisa ser cumprida em todos os lugares, e na semifinal ela não foi. Em momento nenhum se falou disso. O árbitro autorizou o início da partida normalmente, de forma ilegal. Eu procuro dar respaldo para ter boas condições de jogar futebol. Você pode machucar e não ter suporte como gostaria de ter.

Estou feliz aqui no Espírito Santo, mas infelizmente ilegalidades estão acontecendo. Não estou chateado com o clube, com jogadores e com a cidade, mas quem controla o futebol daqui está querendo remar somente para o lado dele. O futebol desse jeito é ruim para todos. Quando um tenta fazer diferente e subir, alguns puxam para baixo.

É como aquela história do vendedor de caranguejo da Praia da Costa. Um dia me deparei com um homem na praia com dois baldes cheios de caranguejo. Um estava com areia por cima dos animais para que eles não fugissem, enquanto o outro não tinha nada. Perguntei o porquê daquilo e ele respondeu: ‘O que está com areia é como se fosse o futebol de outros estados: quando um tenta subir, os outros se agarram nele e sobem juntos. O outro balde não precisa de areia, pois é o futebol capixaba: quando um tenta subir, os outros nove puxam para baixo para que todos fiquem no mesmo lixo. Minha crítica é aos dirigentes que dão essas condições para que os clubes não pensem em crescer.

Estamos em uma semifinal de campeonato que não tem exame antidoping, não tem jogo passando na televisão e ilegalidades como essa. Não é só contratar jogador bom para que o futebol cresça.

A avaliação de minha passagem aqui está sendo boa, pois curti muito. Gosto muito do Espírito Santo. Eu cheguei tentando ajudar os atletas, com dicas de como tem que ser alimentação, o treinamento, mostrar uma vivência internacional, ajudar ele a crescer e ter visibilidade. Nesse sentido, foi uma experiência boa. Tentei ajudar em outros sentidos, como criar um sindicato para os jogadores, mas não consegui, não deixaram.

Minha estadia toda foi muito legal e aprendi a desfrutar do mundo capixaba. Nas ruas, as pessoas me agradecem por ter escolhido chegar ao Rio Branco e ao futebol capixaba. Percebo que o povo tem essa necessidade e uma vontade muito grande em ver o futebol capixaba em outra patamar”

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