Ídolos

DÉCADA DE 20

Gilberto Paixão: negro, o primeiro ídolo do Rio Branco!

Em uma época de racismo escancarado na sociedade brasileira, Paixão foi ousado: tornou-se o melhor jogador do futebol capixaba nos anos em que alguns clubes proibiam a presença de negros como ele. Vestindo a camisa capa-preta, ele foi goleador, virou ícone, ídolo, multi-campeão e, mais tarde, presidente.

Sem poder jogar no time dos brancos e ricos, Gilberto Paixão do Nascimento chegou ao Rio Branco em 1916. Meia-direita, não demorou a se tornar uma atração nos primórdios do futebol capixaba, tal superioridade de seu futebol. Sagrou-se herói dos primeiros títulos, sendo campeão em 18, 19, 21 e 24.
ㅤㅤ
Foi dele a sugestão para que o clube trocasse as cores verde e amarelo por preto e branco, ainda em 1917. Paixão se aposentou em 29, mas resolveu voltar a treinar oito meses depois para um jogo de despedida, o primeiro amistoso de um time capixaba contra um grande carioca: o Flamengo. O Rio Branco venceu por 2 a 1 com o ídolo em campo.

Após deixar os gramados, Paixão virou Conselheiro, e posteriormente presidente, entre 1936 e 1938. Foi na gestão dele que o Rio Branco inaugurou o estádio Governador Bley, em Jucutuquara, Vitória, na época o terceiro maior estádio do Brasil.

DÉCADA DE 30

Alcy Simões: o maior de todos os tempos!

Alcy Simões é considerado o melhor jogador capixaba da história. Pelo Rio Branco, os números são impressionantes: 255 jogos, 213 gols e 14 títulos estaduais, sendo artilheiro do Capixabão por seis vezes!

Alcy nasceu em Vitória, em 1913 – apenas 12 dias antes da fundação do Rio Branco. Criado em Jucutuquara, logo se apaixonou pelo Capa-preta, ingressando no juvenil do clube aos 13 anos. Em 1930, aos 17, o menino-prodígio já era titular absoluto do time.

Rápido, infiltrador e dono de um potente chute (com os dois pés!), o jogador era descrito pela imprensa da época como “o atleta mais completo que já esteve no futebol capixaba”. Em 1939, o Flamengo anunciou interesse e tentou contratá-lo para formar uma dupla com Leônidas da Silva, mas Alcy recusou a proposta e permaneceu no Capa-preta.

Ao todo, foram 17 temporadas no Brancão. Alcy, também chamado de Russo e Russinho, foi campeão em 1929, 30, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 41, 42, 45, 46, 47 e 49, ano em que pendurou as chuteiras aos 36 anos de idade. Além de ser o maior campeão, é o maior goleador da história do clube.

Após se aposentar, foi conselheiro e técnico das categorias de base, e com mais de 70 anos ainda viajava ao interior para acompanhar o time das arquibancadas. Alcy morreu em 2001, aos 88, deixando seu nome eternizado na história capa-preta e do futebol capixaba.

Lacínio, o comandante do “ataque ping-pong”.

Meia-esquerda habilidoso, Lacínio nasceu no mesmo ano de fundação do Rio Branco: 1913. Em 1934, aos 21 anos, foi campeão capixaba pela primeira vez, sendo o artilheiro do time com 12 gols. Ele também levantou a taça nos três anos seguintes: 1935, 1936 e 1937, sempre com destaque – foram 42 gols nas quatro conquistas!

O ataque orientado pelo meia ficou conhecido nacionalmente como “ataque ping-pong”, por conta da rápida troca de passes, algo incomum na época. Ao lado dos atacantes Cícero e Alcy Simões, Lacínio ganhou destaque na Copa dos Campeões Estaduais de 1937, o primeiro torneio disputado entre equipes de vários estados.

Em um dos jogos daquela competição, o Rio Branco venceu o Fluminense por 4 a 3 no estádio Governador Bley. Os tricolores saíram de campo reclamando do tal “ataque infernal” comandado por Lacínio.

DÉCADA DE 50

Carlinhos Gabiru: goleador nato e atleta emérito!

Carlinhos Gabiru é um dos maiores jogadores da história do futebol capixaba. Segundo maior goleador do Rio Branco, com 133 gols, o meia-atacante foi campeão estadual cinco vezes.

Carlos José Feliciano Martins, o famoso Gabiru, nasceu em Vitória e integrou o time juvenil do Brancão em 1952. Goleador nato, teve participação efetiva no tricampeonato em 57, 58 e 59, além do bi em 62 e 63.

Carlinhos também se destacava por sua postura fora de campo. Como tinha condições financeiras melhores que seus companheiros de time, nunca ficava com o prêmio em dinheiro das conquistas: dividia tudo entre os atletas. Após se aposentar, continuou colaborando com o clube, investindo do próprio bolso para reformas do estádio e se filiando à Legião Capa-preta, organização criada para dar suporte financeiro ao clube.

Por seus feitos em campo, Gabiru ganhou o título de Craque-Modelo e Atleta Emérito do Rio Branco. Nosso ídolo faleceu em 2001, deixando um grande legado.

DÉCADA DE 60

João Francisco: o mais vezes capa-preta!

João Francisco é jogador que mais vezes vestiu a camisa do Rio Branco, num total de 414 jogos! Ele também é o terceiro maior artilheiro da história alvinegra, com 91 gols.

João Francisco nasceu no Rio de Janeiro e defendia o Fluminense quando chamou a atenção da diretoria capa-preta em 1963. Jogador clássico e ofensivo, ele também se destacava pela raça e forte marcação, o que o fez logo cair nas graças da torcida.

O meia marcou época e levou o Brancão a grandes conquistas. Foram sete títulos estaduais: 1963, 66, 68, 69, 70, 71 e 73. Ele também fez história em outros jogos marcantes. Em 1964, a Seleção Brasileira Olímpica veio ao Espírito Santo e enfrentou o Rio Branco em amistoso no Estádio Governador Bley. João Francisco marcou o primeiro gol e conduziu o Capa-preta na vitória por 2 a 1.

Jorge Reis: o recordista mundial!

Um dos maiores goleiros da história do Brancão e do futebol brasileiro! Nascido no Rio de Janeiro, Jorge Reis chegou ao Rio Branco em 1967. Logo passou a ser referência da equipe, sendo campeão capixaba quatro vezes: 1968, 1970, 1971 e 1973.

O sucesso internacional aconteceu entre 70 e 71, quando Jorge alcançou a impressionante marca de 1.605 minutos sem sofrer gols – cerca de 27 horas. Foram 18 jogos sem ser vazado, entre partidas contra times capixabas e de fora, como o Corinthians.

O feito fez o goleiro capa-preta entrar para o Livro dos Recordes e estampar capas de jornais e revistas do País e do exterior. Ele chegou a receber um troféu no famoso Programa do Chacrinha, o de maior audiência da época.

Após pendurar as luvas e as chuteiras, Jorge Reis ainda foi campeão capixaba como técnico, em 1975. O ídolo capa-preta morreu em 2015, aos 76 anos.

DÉCADA DE 70

Wilson Pereira: Gigante em campo e símbolo da raç

Wilson Pereira é considerado o maior jogador alvinegro entre o fim dos anos de 1960 e início dos anos 1970.
O volante chegou ao Rio Branco vindo da Portuguesa, onde já havia feito história. Clássico, era um gigante em campo, ficando reconhecido pela raça e amor a camisa. Wilson Pereira também foi um grande cobrador de falta, marcando diversos gols dessa forma.
Ao todo, foram 266 jogos com a camisa capa-preta, conquistando o Capixabão por seis vezes, em 1968, 1969, 1970, 1971, 1973 e 1975.

 

 

Baiano: o Craque Capixaba

Valmeci José Margon, o Baiano, nasceu em Vila Velha e começou a carreira no próprio Rio Branco. Entre os anos de 1973 e 1979, o habilidoso meia-atacante foi campeão capixaba cinco vezes e disputou a Série A do Campeonato Brasileiro. Ao todo, foram 301 jogos e 74 gols pelo Brancão.

Na década de 1980, Baiano foi para o Náutico, onde também virou ídolo e se tornou o maior artilheiro do Brasil em 1983, com 40 gols, na frente de Zico, que ficou em segundo. Ele ainda jogou no Fluminense, Sport e Santa Cruz, retornando ao Brancão em 1987.

Adalberto Lopes: o líder! 

Campeão como jogador e técnico, Adalberto Lopes foi um dos maiores zagueiros da história alvinegra. Além dos títulos, ficou marcado por sua raça, eficiência e, principalmente, sua liderança em campo.

Em 1972, aos 19 anos, Adalberto foi eleito o craque do Capixabão em seu primeiro ano de Rio Branco. Já no ano seguinte, conquistou seu primeiro título estadual com a camisa alvinegra, feito que se repetiu em 75.

Após passagem pelo Fluminense, retornou ao Brancão em 1978, permanecendo até 1982, quando se aposentou aos 29 anos. Formado em Educação Física, Adalberto foi preparador físico do Rio Branco em 1983, quando foi campeão capixaba ao lado do técnico Wanderley Luxemburgo.

DÉCADA DE 80

Vicente: a referência capa-preta

De família alvinegra, Vicente nasceu em Vitória, bem próximo do Estádio Governador Bley. O meia-atacante chegou ao clube ainda na juventude, firmando-se entre os titulares em 1978, quando foi campeão capixaba pela primeira vez.

Com grande identificação com o clube e a torcida, Vicente nunca mais saiu do time, tendo participação importante nos títulos de 82, 83 e 85, quando foi capitão. Ao todo, foram 292 jogos, quatro títulos e 64 gols com a camisa capa-preta.

Dé Aranha: campeão dentro e fora de campo! 

O carioca Domingos Elias Alves Pedra, mais conhecido como Dé Aranha, já havia brilhado no Botafogo e no Vasco quando foi convidado para defender o Rio Branco pelo então técnico capa-preta Vanderlei Luxemburgo. Até a estreia dele foi histórica: a inauguração do estádio Kleber Andrade, no dia 7 de setembro de 1983, vitória por 3 a 2 sobre o Guarapari. O atacante veio para ficar três meses, mas acabou ficando três anos.

Em 1984, Dé foi um dos destaques no Campeonato Brasileiro. Em um dos jogos, marcou duas vezes na vitória por 3 a 1 sobre o Cruzeiro, no Mineirão. Já em 1985, foi artilheiro do time que conquistou o Estadual, com sete gols.

A despedida foi no dia 2 de fevereiro de 1986, num amistoso contra a Seleção da Costa do Marfim. A partida contou até mesmo com a presença de Roberto Dinamite vestindo a camisa do Brancão. Aos 38 anos, Dé marcou seu último gol, apesar da derrota por 4 a 3. Ao todo, foram 79 partidas e 31 gols marcados.

O reencontro de Dé Aranha com o Rio Branco veio 24 anos após o atacante pendurar as chuteiras – justamente o tempo que durou o jejum de títulos capa-preta. Sob o comando do ídolo, a equipe alvinegra conquistou o histórico Capixabão de 2010.

Marinho: o rei da lateral-esquerda! 

Luiz Carlos da Silva, o Marinho, foi jogador fundamental para as conquistas de 1982, 1983 e 1985, sendo também campeão em 1978. Lateral-esquerdo clássico, brilhou na posição, sempre sendo eleito o melhor do setor nos estaduais.

Marinho é o 14ª atleta com mais atuações pelo clube, num total de 237 jogos. Ele também defendeu a camisa capa-preta na Série A do Brasileiro de 78, 79 e 83. Tanta categoria e dedicação o fizeram ser um dos jogadores preferidos da torcida alvinegra em sua época.

Arildo Ratão: o homem dos gols históricos!

Arildo Ratão, herói e artilheiro da conquista do Capixabão de 1983. Com faro de gol, Arildo é um dois maiores goleadores da história da competição.

Sob o comando do técnico Vanderlei Luxemburgo, Arildo chegou ao Rio Branco em 83 e aterrorizou a defesa dos rivais. Foram 17 gols, sendo artilheiro absoluto do Estadual! Ele também entrou para a história ao marcar os três gols na inauguração do estádio Kleber Andrade, na vitória por 3 a 2 sobre o Guarapari.

O atacante ainda se destacou no Brasileirão de 84. Diante do Cruzeiro, no Mineirão, deixou sua marca na vitória capa-preta por 3 a 1. Também marcou duas vezes na vitória por 2 a 1 sobre o América-RJ. Gols históricos era com ele mesmo!

DÉCADA DE 2000

Chico: 14 anos de dedicação ao Rio Branco!

Hoje vamos falar do quarto goleiro com mais jogos pelo Brancão. Chico iniciou sua trajetória ainda jovem, em 1997, quando foi aprovado para as categorias de base do Rio Branco. No mesmo ano, o goleiro subiu para o elenco profissional, assumindo a titularidade em 2001.

A primeira passagem durou até 2003. A segunda foi entre 2006 e 2007, e a última de 2014 até 2016, quando se aposentou.

Entre jogos do Capixabão, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, foram 150 vezes defendendo o Rio Branco. Desde 2018, Chico é preparador de goleiros do clube.

DÉCADA DE 2010

Ronicley: inoxidável e sempre necessário! 

Ronicley é o maior ídolo da atual geração. O meio-campista é o atleta que mais vezes vestiu a camisa alvinegra neste século, com 159 jogos, sendo também nosso maior goleador deste período, com 46 gols.

A história de Ronicley com o Rio Branco teve início em 2008, quando o meia foi contratado para a Copa Espírito Santo. Roni marcou logo em sua estreia, no dia 7 de novembro, num empate em 1 a 1 diante do Vilavelhense. E não demorou para o dono do meio-campo cair nas graças da torcida.

O auge veio em 2010. Ronicley foi o grande destaque do Capixabão daquele ano, e conduziu o Brancão ao título que encerrou uma espera de 24 anos por grandes conquistas. Foram sete gols na competição, além de ser o jogador capa-preta com mais assistências. Em sua primeira passagem pelo clube, o meia ainda foi vice-capixaba em 2009 e da Copa ES em 2008 e 2009, além de semifinalista em 2012, sempre com destaque em campo.

Ao todo, já são sete temporadas honrando o manto capa-preta, sendo um dos maiores camisas 10 da história. Identificado com a torcida – e amado pelas crianças – o jogador sempre faz questão de retribuir o carinho. Ronicley é, além de tudo, um torcedor capa-preta que entra em campo.

João Paulo: Diamante Negro do Brancão

Em homenagem ao título de 2015, hoje vamos falar de João Paulo, herói daquela conquista e um dos ídolos da nova geração.

O meia-atacante estreou como profissional do Rio Branco em 2010, numa vitória em Vi-Rio, mas a primeira boa sequência veio no ano seguinte, sendo destaque. Já em 2012, ele brilhou no Capixabão e foi o principal nome do time que chego às semifinais.

A consagração, de fato, foi em 2015, na conquista do Capixabão. Em seu auge, João Paulo marcou sete gols e foi peça fundamental da campanha. Ao todo, o ídolo tem 64 jogos em cinco temporadas com a camisa capa-preta.